CFT na mídia: Responsabilidade Social
Em agosto de 2005, o Centro de Educação Profissional São João Calábria, com uma proposta na mão e débitos na conta bancária, bateu na porta da Empresa Júnior e da Agência Social, laboratórios de experimentação profissional para acadêmicos da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Com a idéia de capacitar jovens de baixa renda para o mercado de trabalho, o Calábria começou o ano de 2005 com 300 alunos, ressentindo a não ocupação das outras 700 vagas disponíveis, por falta de recursos para o financiamento dos cursos. A ação integrada entre os alunos da escola e os diretores do centro de formação de adolescentes resultou na campanha ¨Adote um Futuro¨, para o financiamento de cursos pelo apadrinhamento de vagas e também na reformulação da identidade visual da instituição. "A palavra apadrinhamento não pegou no Brasil como nos países da Europa. Então tiramos a palavra e criamos a chamada "Adote um Futuro", explica Dora Castagnino, coordenadora da Agência Social da ESPM.
Juntas, as instituições desenvolveram um plano de ação de reestruturação da gestão do centro, que vinha acumulando perdas de investimentos federais e estaduais. Desde o logotipo da entidade, que denotava uma significação errônea da função da instituição até estratégias de captação de recursos, a ESPM sugeriu metas a serem seguidas pelo Calábria que ajudariam na sua recuperação.
Um total de 18 alunos dos laboratórios de vídeo, fotografia, publicidade, design e administração da Escola, representados pela Agência Social e a Empresa Júnior, trabalharam juntos no projeto Calábria. O primeiro contato foi feito com o coordenador da Empresa Júnior, Roberto Salazar. Ele organizou uma pesquisa do mercado em que está inserido o Calábria e estudou os concorrentes da entidade. Segundo o "briefing", a campanha deveria, acima de tudo, elucidar os 40 anos de credibilidade do Calábria dentro do terceiro setor. Depois, os alunos visitaram o Calábria para entender melhor o funcionamento da escola. "Isso é uma prática comum, os alunos vão até a instituição para sentir quais são suas reais necessidades", explica Dora.
A visita radiografou o Calábria como um centro de formação de jovens de 14 a 17 anos, provenientes de famílias carentes de Porto Alegre e região metropolitana, em especial dos bairros Nonoai e Vila Nova, mas sem verbas para a auto-suficiência na prestação de cursos. Segundo o vice-diretor da instituição, Irmão Gilnei Bampi, os alunos unem produção e ensino e aprendem fazendo e fazem aprendendo, através das oficinas de gráfica, tornearia e mecânica, marcenaria, serigrafia e padaria. "Com as aulas eu tenho mais prática e posso até começar a fazer roupas em casa para vender. Assim consigo um dinheiro a mais", comenta Ana Cristina Rabe, 24 anos, participante do curso de modelagem e confecção, com financiamento especial.
A partir da determinação da realidade do centro, os acadêmicos criaram uma campanha que compõe um vídeo para mídia eletrônica e um anúncio para veículos impressos. "As peças de comunicação têm uma conotação de resgate dos jovens" conta Salazar. Além disso, desenvolveu também produtos da nova identidade visual da instituição como cartões de visita, marcadores de livro, folder, envelopes e papéis timbrados e camisetas.
Como o objetivo era captar fundos para ampliação das vagas na instituição, que pretende atender 600 alunos em 2006, quase 100% mais que no ano anterior, o material publicitário foi direcionado a pessoas físicas e jurídicas para mostrar que com apenas R$ 120,00 qualquer pessoa poderia contribuir ajudando um adolescente. "A idéia era deixar claro que o Calábria pode dar uma chance de futuro aos jovens, obviamente que com a cooperação dos empresários, evitando assim que os adolescentes fiquem nas ruas e, dessa forma, diminuindo a violência", esclarece Dora. Da rua para o emprego, a campanha lembra à população que os jovens caem na criminalidade sem apoio.
Irmão Gilnei Bampi explica que as verbas dessa iniciativa serão revertidas para a renovação tecnológica da instituição e a criação de novos cursos. Hoje, 70% dos gastos do centro são supridos pela verba que entra no caixa a partir de produção terceirizada. Segundo ele, o ideal seria que 70% dos recursos viessem do projeto e somente 30% da produção, já que esta também tem outras despesas a pagar. Os acadêmicos sugeriram que os investidores sociais acompanhassem os resultados de sua ação através do site, no qual ficarão sabendo quem foi beneficiado com a verba e seu perfil.
A ESPM entende sua função de educadora social e por meio da Agência Social, disponibiliza diversos cases no site para que toda a faculdade possa trabalhar em projetos de responsabilidade social. Está previsto o desenvolvimento de 45 páginas de web para ONGs, ainda nesse ano.
Profissionais especiais recebem capacitação
O decreto no. 3.298/99, que regulamenta a reserva de 5% de vagas para portadores de deficiência em empresas com mais de 1000 funcionários, traz à tona a necessidade de criar meios para capacitar essa parcela da população para o mercado de trabalho. Para atender essa nova demanda, o Centro de Educação Profissional São João Calábria oferece, desde agosto de 2005, cursos profissionalizantes para adolescentes com Síndrome de Down. No ano passado, quatro alunos freqüentaram as aulas. Em 2006, espera-se que 15 novos alunos possam participar do programa.
A reserva de vagas, apesar de obrigar os diretores de empresas a contratar deficientes, não os condiciona a ter profissionais menos competentes. Com esse pensamento, o Calábria decidiu promover a interação deles com os outros candidatos a empregos, freqüentando os diversos cursos do centro. De acordo com o Irmão Gilnei Bampi, vice-diretor do Calábria, que acompanhou o trabalho realizado com os quatro jovens durante esse ano, o rendimento e desenvolvimento dos portadores de deficiência melhorou 100%.
Os possíveis problemas que poderiam ser criados com a inserção deles em turmas com pessoas ditas ¨normais¨, foram todos superados. "A interação deles com os outros foi fantástica, fizeram várias amizades", reforça Irmão Gilnei. Os jovens, que antes estudavam somente em escolas especiais, a partir da iniciativa tiveram a oportunidade de estar em um ambiente modelo parecido com o qual frequentarão no futuro.
Com mais de 40 anos de atuação no Rio Grande do Sul, a instituição é originária da Itália. É com a missão de promover formação profissional, humana e cristã às pessoas, que as iniciativas do centro atendem a comunidade local. Sobre o projeto com os profissionais especiais, Irmão Gilnei comemora, "É um sonho. Para nós e para eles".
Fonte: Jornal do Comércio - Empresas e Negócios - 20/02/2006
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