CFT na mídia: Pouco pano para crescer pela internet no Brasil
Bem-sucedida nos Estados Unidos e na Europa, a venda de roupas e acessórios pela internet ainda não deslanchou no Brasil. No ano passado, o segmento respondeu por apenas 2,4% das compras feitas pela web no país, bem atrás de categorias como livros e revistas, informática e eletrônicos, que puxaram o crescimento do 43% do comércio eletrônico brasileiro no período, segundo dados da consultoria e-bit.
Nos EUA, as roupas lideram as vendas, com 12,3% no faturamento de US$ 184,5 bilhões do varejo online local (excluídas vendas de veículos, passagens aéreas e pacotes turísticos), conforme o Instituto Forrester.
Para Alberto Sorrentino, sócio-sênior da consultoria de varejo Gouvêa de Souza & MD, as dificuldades começam pelo fato de o Brasil não ter vivido um amadurecimento do mercado de venda de roupas à distância (por catálogo) – tradicional entre europeus e norte-americanos.
Problemas estruturais, como a falta de uma padronização confiável para os tamanhos das peças também emperram o crescimento do comércio de moda pela internet. Outro obstáculo, segundo Sorrentino, é a insegurança dos consumidores quanto à possibilidade de trocar um produto com tamanho inadequado.
O consultor de varejo e professor da ESPM Roberto Salazar acrescenta que a resistência também é cultural porque brasileiros preferem ter contato com a peça, experimentar e ouvir uma opinião antes de comprar. Fatores que influenciaram para o desinteresse de grandes redes de varejo em versões online de suas lojas. Das poucas que tentaram, algumas já desistiram, como a C&A, que implantou o sistema no início da década, mas desistiu depois de dois anos.
Na contramão da tendência, a Lojas Marisa aposta em sua loja online para ganhar mercado. Sem revelar números, o gerente de E-commerce do grupo, Marcel Jacob, ressalta que as vendas pela internet equivalem às de uma loja de grande porte.
Em 2007, o comércio online da empresa cresceu 80%, graças à ampliação do acesso à internet da classe C e à oferta de mais de 200 filiais como pontos de troca.
Comércio eletrônico no Brasil Os segmentos líderes (em número de pedidos):
Faturamento: R$ 6,3 bilhões Livros, revistas e jornais: 17%
Crescimento: 43% Informática: 12%
Número de pedidos: 20,4 milhões Eletrônicos: 9%
Participação do setor de vestuário Saúde e beleza: 8%
(em número de pedidos): 2,4% Telefonia celular: 7%
Fonte: Jornal Zero Hora - Caderno de Economia - 23/05/2008
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