CFT na mídia: Opção pelo menor risco

Empreendedor deve entrar com 50% a 60% de capital, porque financiamento pode prejudicar viabilidade
Se você tem capital disponível, quer empreender e ainda não sabe no que investir, o segmento de franquias pode ser uma boa opção. Para aqueles que têm facilidade em seguir padrões de administração e controle, o caminho é fértil e costuma ser rentável se a marca estiver consolidada no mercado.
Entre os pontos positivos do sistema está o assessoramento constante aos franqueados, a comodidade de um esquema de logística e marketing prontos e a vantagem de efetuar as compras em grupo, e de um mesmo fornecedor. Dessa forma os preços se tornam mais acessíveis. Pelos cálculos da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor fecha o ano com o crescimento de 12%.
O diretor executivo da ABF, Ricardo Toledo de Camargo, recomenda que os empresários tenham de 50% a 60% de capital próprio para aplicar. Para o especialista, buscar linhas especiais de financiamento além desses percentuais pode comprometer a saúde financeira do empreendimento. Como incentivo, Camargo revela que o índice de mortalidade das empresas no segmento de franquias é pequeno:
" - Conforme estudo do Sebrae, 55% das empresas abertas fecham antes de dois anos. Nas franqueadas o percentual é de 3%". A franquia tende a oferecer menor risco de fracasso porque o modelo já foi testado, analisa o professor da graduação e pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Roberto Salazar. Entretanto, os riscos e pontos negativos também existem no sistema.
" - O investidor precisa ter em mente que o modelo é engessado. Mudanças são passíveis de ocorrer, porém nem sempre na velocidade com que deseja o dono do negócio" - avalia o professor.

O mercado
> O investidor deve pesquisar com atenção ao nicho pretendido e descobrir qual a real necessidade do seu produto no local onde deseja se instalar. Como em qualquer negócio, a combinação de ponto-de-venda com o público-alvo é fundamental para obter sucesso.
> Em 2006, no segmento, destaque para os setores de acessórios pessoais e calçados, com aumento de 46% no faturamento, e o de vestuário, com 32%.
> O segmento de alimentação cresceu 26% no número de redes e 16% em faturamento.
> No país, o setor de franquias deve fechar o ano com faturamento global superior a R$ 40 bilhões. O Brasil é sexto colocado no mercado mundial.
> 90% dos participantes têm marcas próprias e 35 empresas já estão no exterior.

Agora ele é dono do negócio
Depois de 24 anos como funcionário de uma seguradora, Jorge Luiz Garcia de Lima, 42 anos, morador de Porto Alegre, resolveu ser dono do próprio negócio. Durante três meses avaliou opções no segmento de alimentação e acabou se definindo por uma franquia depois de ver o sucesso conquistado por um ex-colega.
Em maio de 2005, caiu em suas mãos a oferta de um pondo da rede de restaurantes Bella Gula, no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre. Lima, que mantém a sociedade com a mulher, Sandra Mara de Lima, estava decidido pelo setor de alimentação, apesar de não ter nenhuma experiência na área. As barreiras impostas ao novo empresário foram superadas com o auxílio do franqueador e dicas dos demais franqueados. Pouco mais de um ano e meio após a adesão à rede, Lima diz que recuperou o investimento realizado. O ponto decisivo para o empresário foi o fato de não precisar cativar uma nova clientela. Os consumidores conhecem a marca, que já está inserida no mercado. Mesmo entre as desvantagens, Lima vê pontos positivos.
" - Mudanças são possíveis, mas exigem um estudo mais detalhado. Há reuniões mensais entre os franqueados e franqueador. Nesses encontros discutimos os números e apresentamos até sugestões de ampliação do cardápio" - revela.
A maior dificuldade de Lima foi assumir o papel de empresário. Ao final do mês, as suas obrigações não eram só colocar o dinheiro no bolso e pagar as despesas da família. Desde o dia em que comprou a franquia é o responsável por pagar o salário dos funcionários.

Fonte: Jornal Zero Hora - Empresas & Oportunidades - 24/12/2006

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