CFT na mídia: Magazine Luiza deixa redes concorrentes em sinal de alerta

Quando entrar setembro, o mercado de varejo no Rio Grande do Sul vai finalmente conhecer a agressividade da qual tanto se ouve falar do Magazine Luiza. É quando a empresa, nascida em Franca, no interior de São Paulo, em 1957, assumirá os 50 pontos das Lojas Arno, aumentando para 233 o número de lojas, incluindo o site, no Brasil.
Apesar da aparente cautela e da serenidade com que reagiram ontem à notícia da vinda de uma das quatro maiores redes do país, varejistas gaúchos reconhecem a força do novo concorrente. A aposta do consultor empresarial na área de varejo Roberto Salazar é de que o Magazine Luiza deverá, logo de início, buscar identificação com o público gaúcho por meio de uma proposta de valor muito forte junto ao consumidor, incluindo desde expressões até promoções, como se fosse uma empresa tradicionalmente rio-grandense.
" - Considerando estratégias que aplicaram em outros mercados, serão propostas fortes para se diferenciar da concorrência, promoções e uma gama nova de produtos".
Diretor-presidente da maior rede gaúcha e a quarta do país em número de lojas (349 no Rio Grande do Sul e em outros quatro estados), Adelino Colombo é quase diplomático ao comentar o assunto:
" - A Colombo tem o maior respeito pelo Magazine Luiza. Manterá sua estratégia de crescimento e as ações para continuar recebendo a preferência do consumidor".
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e diretor da Manlec (28 lojas), Atilio Manzoli Júnior, a Arno será substituída por uma empresa do mesmo nível: " - A empresa vai trazer benefícios para o mercado varejista". " - O Magazine Luiza deve atuar na classe média baixa, na mesma faixa que a nossa. O comércio local vai ter de melhorar, mudar o estilo de sedução do cliente, porque nisso eles são agressivos" - reforça o superintendente da rede de 44 lojas CR Diementz, de Portão, no Vale do Caí, Homero Toledo.

Detalhes do negócio serão revelados amanhã
O advogado Zulmar Neves, do Escritório Zulmar Neves Advocacia, de Caxias do Sul, participou da fase final das negociações, iniciadas há seis meses. Entrou para dar forma jurídica à venda, que contempla apenas os 50 pontos das Lojas Arno. Pelo acerto, a Arno ficará impedida de retornar ao mesmo ramo pelos próximos cinco anos.
" - A Arno vendeu porque chegou a um preço razoável. É uma empresa saudável, que tinha inclusive planos para abertura de 10 lojas até 2005" - afirma o advogado.
Neves diz que não foi autorizado a revelar os valores da operação. Amanhã, em entrevista coletiva no Hotel Plaza São Rafael, às 10h, a diretora superintendente do Magazine Luiza, Luiza Helena Rodrigues Trajano, dará mais detalhes sobre o negócio.

Fonte: Jornal Zero Hora - Caderno de Economia - 16/06/2004

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